segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Cerca de 140 jornalistas estrangeiros acompanham de perto as eleições no Brasil
Além de Brasília, do Rio de Janeiro e de São Paulo, Porto Alegre virou alvo das atenções dos jornalistas estrangeiros. É que a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, vota na capital gaúcha.
Ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB) vota na capital paulista onde o PSDB também prepara as comemorações, em caso de vitória. O Rio Janeiro é a cidade que representa o cartão postal do Brasil, enquanto Brasília é o retrato da política nacional.
Há 12 anos no Brasil, o jornalista Eduardo Davis, da espanhola EFE, disse à Agência Brasil que o mais surpreendente nas eleições brasileiras é a agilidade na apuração dos votos. Segundo ele, também chama a atenção a ausência de denúncias de fraudes nas apurações.
– A velocidade na contagem dos votos no Brasil é um exemplo para todos. É quase uma perfeição nesse sentido. Também há o diferencial de que nunca se veem denúncias na apuração dos votos.
Correspondente da France Press em Brasília, o argentino Aldo Gamboa disse à Agência Brasil que estas eleições apresentaram alguns elementos novos em comparação às anteriores. Desde 1988, ele faz coberturas de campanhas presidenciais no país.
– Houve uma demora maior no registro dos programas eleitorais. Mas para mim [que sou estrangeiro], o sistema de programa gratuito de rádio e e televisão é algo muito diferente, assim como o fato de a mídia pautar a campanha e não o contrário.
A Acie (Associação de Correspondentes Internacionais Estrangeiros), com sede no Rio de Janeiro, mantém um cadastro com mais de 60 profissionais fixos no país. Há jornalistas de vários lugares da Europa, da América Latina e dos Estados Unidos. Países como o Japão, a Angola e o México têm um profissional cada, enquanto a China mantém dois jornalistas permanentemente no Brasil.
No primeiro turno das eleições, os principais jornais internacionais e os sites oficiais destacaram o fato de entre os favoritos na disputa estarem duas mulheres – as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) – e dois homens – os candidatos José Serra (PSDB) e Plínio Sampaio (PSOL) – e a ampliação do espaço obtido pelo Partido Verde. A candidata da legenda, Marina Silva, conseguiu mais de 19% dos votos.
A imprensa na Bulgária acompanha as eleições no Brasil de forma diferenciada porque considera Dilma búlgara. A ex-ministra é filha de pai búlgaro e mãe brasileira, o que para a sociedade da Bulgária é suficiente para Dilma ser considerada uma cidadã do país. Só a agência de notícias de Sófia (a capital da Bulgária) Novinite, em inglês, publicou três reportagens sobre a vida e a trajetória política da candidata do PT.
Veja divisão dos Estados em que Dilma e Serra venceram
Serra, por sua vez, foi o vencedor em 11 Estados, entre eles São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás.
Apoio do Congresso a Dilma depende de negociação de cargos e verbas
Uma das principais vitórias de Lula em seu primeiro mandato (2003-2007) não foi nas urnas, mas na mesa de negociações. Ainda em 2003, o PMDB decidiu barrar até nomeações do governo para cargos no segundo e terceiro escalões. Lula não conseguiu emplacar nem o nome do ex-deputado Luiz Alfredo Salomão para uma diretoria da ANP (Agência Nacional do Petróleo). O jeito foi atrair os então opositores.
À medida que o PMDB entrava no governo e ganhava postos de comando, seu apoio ao governo aumentava. Do primeiro para o segundo mandato, os peemedebistas saltaram de três para seis ministérios. No mesmo período, o apoio do partido aos projetos do governo pulou de 56,9% para 63,7%, de acordo com levantamento da consultoria política Arko Advice.
Para o cientista político da USP (Universidade de São Paulo) Brasílio Sallum Júnior “qualquer combinação eleitoral não significa coalizões para governar”.
- Eleito o governo, é preciso ver a montagem dos ministérios e secretarias. É isso que vai determinar se o governo tem ou não maioria do Congresso.
Crédito: Agência Senado
Além da distribuição de cargos, a cientista política da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) Maria do Socorro acha que a petista não terá problema para conseguir a adesão de outras legendas.
- Os partidos brasileiros estão caminhando para o centro. Eles estão cada vez mais parecidos ideologicamente, o que torna fácil atraí-los para o governo.
Para ela, a oposição minúscula (veja gráfico abaixo) terá de ser criativa para fazer frente ao governo:
- A oposição pode protelar, adiar pauta e atrapalhar o processo. Mas uma alternativa é buscar apoio na sociedade civil.
Mesmo distribuindo cargos e atraindo partidos rivais para o guarda-chuva do governo, nem sempre é fácil vencer as batalhas no Senado e na Câmara. Em 2007, por exemplo, Lula sofreu sua maior derrota ao não conseguir prorrogar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que tirou do governo uma arrecadação anual de cerca de R$ 40 bilhões.
Lula também reclama da reforma tributária, enviada ao Congresso nos primeiros meses de seu primeiro mandato e que até agora não foi votada. Em agosto último, o presidente voltou a tocar no assunto.
- Por que [a reforma tributária] não foi aprovada? Porque a verdade é que, tanto quanto a reforma política que todo mundo fala que é necessária, as pessoas não querem. Porque cada um quer a sua reforma. E ela não acontece.
Líderes estrangeiros celebram vitória de Dilma
Logo após a confirmação da eleição da candidata Dilma Rousseff à Presidência, na noite deste domingo (31), várias autoridades internacionais enviaram mensagens de congratulações.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi um dos primeiros a saudar a candidata petista. Segundo Sarkozy, Dilma tem "trajetória política excepcional" e sua vitória é "um marco".
O governo da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, parabenizou Dilma Rousseff "pelo triunfo popular obtido no segundo turno, que a consagra como a primeira mulher a ser chefe de Estado da República Federativa do Brasil
Horas depois do comunicado oficial argentino, Cristina telefonou para Dilma e lhe deu as boas-vindas ao "clube de companheiras de gênero".
Outro país da América Latina que enviou felicitações à presidente eleita foi a Venezuela. O presidente Hugo Chávez mandou "um beijo" e, durante seu programa dominical de rádio e televisão, parabenizou a petista.
- Bem-vinda ao clube.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que a eleição de Dilma é uma "vitória da democracia latino-americana e uma aposta pela mudança".
O presidente de El Salvador, Mauricio Funes, enviou mensagem expressando sua "alegria" pelo triunfo de Dilma Rousseff e parabenizou o povo brasileiro por "uma nova mostra de maturidade democrática".
Líderes europeus também deram os parabéns. O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, enviou um telegrama à presidente eleita do Brasil, parabenizando-a pela vitória e se comprometendo a seguir trabalhando para que a relação bilateral entre Brasil e Espanha continue "magnífica".
O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, felicitou Dilma e se mostrou seguro de que seu mandato constituirá "uma renovada oportunidade" para aprofundar as relações bilaterais
Cavaco Silva também destacou a boa relação entre Portugal e o “povo irmão brasileiro" e desejou “o maior sucesso" no exercício de suas funções.
O presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, parabenizou a presidente eleita e destacou o "significado histórico" da escolha da primeira mulher para governar o país.
- O Brasil é um lugar estratégico de primeira importância para a União Europeia. Compartilhamos valores comuns e objetivos estratégicos, tanto no que diz respeito a questões econômicas e financeiras, quanto na mudança climática e na liberalização do comércio mundial.
Saiba quais foram os presidentes que já ocuparam o cargo que será de Dilma
Dilma Rousseff (PT) foi eleita neste domingo (31) a primeira mulher presidente do Brasil. A partir do dia 1º de janeiro, Dilma vai comandar o país, que já teve à frente do poder Executivo 39 homens. A candidata do PT receberá das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a faixa presidencial.
Ex-ministra da Casa Civil e de Minas e Energia, Dilma chegou ao cargo mais importante do país como a escolhida por Lula para sucedê-lo. Ex-ministra da Casa Civil e de Minas e Energia, Dilma chega à Presidência aos 62 anos, depois de ter enfrentado a ditadura militar, comandado o principal ministério do governo Lula (a Casa Civil), vencido um câncer no sistema linfático e se tornado avó pela primeira vez, ainda no primeiro turno das eleições.
Saiba quem já ocupou o cargo mais importante do Brasil:



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