O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou, nesta quarta-feira (10), que tenha tratado com o empresário Sílvio Santos a liberação de R$ 2,5 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para cobrir o rombo no banco Panamericano. Silvio Santos e Lula tiveram uma reunião em setembro passado, no Palácio do Planalto, em Brasília.
- Isso não é assunto de presidente da República. É assunto comercial do Banco Central.
O presidente embarcou nesta quarta-feira de Moçambique para Seul, na Coreia do Sul, para a reunião do G20 (grupo dos países mais ricos do mundo).
O encontro entre Silvio e Lula ocorreu em 22 de setembro. Oficialmente, o objetivo da reunião "surpresa" foi pedir uma doação de Lula ao Teleton, programa de televisão que arrecada dinheiro de empresas e pessoas físicas para a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).
Uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo informa nesta quarta-feira que o presidente pode ter tomado conhecimento das falhas no balanço financeiro do Panamericano, que tem entre os acionistas a Caixa Econômica Federal. Em dezembro do ano passado, o banco público pagou R$ 739,2 milhões por uma fatia no banco de Silvio.
Ao deixar o encontro, Silvio Santos disse que prediu doação de R$ 12 mil e que o presidente da República gravou vídeo para ser exibido no programa. A edição de 2010 do Teleton foi realizada no último fim de semana.
Na última terça-feira (9), o grupo Silvio Santos anunciou que iria injetar R$ 2,5 bilhões no seu braço financeiro para “restabelecer o pleno equilíbrio patrimonial e ampliar a liquidez operacional da instituição”.
O problema começou quando o banco verificou “inconsistências contábeis que não permitem que as demonstrações financeiras reflitam a real situação patrimonial da entidade".
O rombo é resultado de ativos e créditos fictícios registrados por diretores do Panamericano para “inflar os resultados da instituição e, suspeita-se, melhorar os bônus dos executivos”, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo. Essa jogada da diretoria, que foi toda demitida na terça-feira, foi descoberta há cerca de um mês pelo Banco Central.
De onde vem a grana?
O dinheiro virá do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), uma entidade privada constituída por todos os bancos que operam no Brasil e que garante depósitos de clientes nas instituições financeiras em caso de problema nas instituições financeiras.
Em outras palavras, é como se uma empresa tivesse salvado as contas do banco para evitar uma intervenção do Banco Central – que poderia arrastar outros bancos para a crise e jogar incertezas no mercado financeiro brasileiro, que inclui 44 companhias. Entre os bens usados como garantia estão a fábrica de cosméticos Jequiti e o hotel Jequitimar, no litoral de São Paulo.
O SBT faz parte deste rol, mas nem a diretoria do canal de televisão, tampouco o Panamericano confirmaram que a emissora seria usada para este fim. Por meio de suas assessorias, as empresas somente informaram que não iriam se manifestar sobre o caso.



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